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IV. Conclusões

A Scientology tem as características de uma religião. Tem uma teologia, um conjunto de exercícios que torna possível alcançar a parte espiritual em todos os seres humanos, uma estrutura de igreja «muito burocratizada», e ritos religiosos. Vários autores antes de nós, até mesmo os mais críticos, não duvidaram da sua natureza religiosa: Michel Certeau, Roy Wallis, Bryan Wilson, Harriet Whitehead, Lonnie D. Kliever, Frank K. Flinn.

Nós encontramos as seguintes características:

(1) Tem técnicas destinadas a fazer um caminho para a liberdade como «uma mente sã num corpo são». L. Ron Hubbard e os Scientologists levam muito a peito a racionalização da vida religiosa e a sua instrumentalização. A maioria das vezes tem sido devidamente comparada com o budismo. Alguns descrevem-na como um «budismo tecnológico». Outros viram uma semelhança com o metodismo devido ao carácter sistemático da audição (aconselhamento pastoral).

(2) Permite ao adepto dar sentido a acontecimentos pessoais, históricos e cósmicos; oferece ao crente a convicção de que ele tem a solução para a salvação pessoal e do grupo; capacita o indivíduo para ser causa na sua vida e não o efeito de causas externas.

L. Ron Hubbard não é um profeta que reivindicou um caminho de salvação proveniente de uma revelação; ele apareceu como um pesquisador espiritual que progressivamente estabeleceu um método de salvação, que é um caminho para o «êxito pessoal».

(3) L. Ron Hubbard não é um profeta que reivindicou um caminho de salvação proveniente de uma revelação; ele apareceu como um pesquisador espiritual que progressivamente estabeleceu um método de salvação, que é um caminho para o «êxito pessoal».

(4) Apoia-se numa experiência pessoal, de certa forma mística, que capacita a pessoa para contactar a sua própria natureza espiritual. Implica um «virtuosismo religioso», i.e., um importante compromisso consigo mesmo, não sendo, portanto, uma religião de culto em massa.

(5) A Scientology tem as características de uma religião «deste mundo», reminiscente de Sokka Gakkai em que o sucesso empresarial honestamente obtido é visto como um sinal positivo de evolução espiritual. Também podemos estabelecer um paralelo entre a ética de Scientology e a do protestantismo tradicional. Neste caso, o sucesso em assuntos mundanos atesta um estado de graça, e em Scientology é a manifestação externa do trabalho da pessoa sobre a sua própria personalidade, de um código moral religioso pessoal constituído principalmente por técnicas de libertação psicológica que libertam o indivíduo espiritualmente, e a aplicação de um sistema de moralidade muito concreto.

(6) Não é uma seita — não é exclusiva, e o adepto não é obrigado a renunciar à sua religião anterior, embora a maioria pratique Scientology exclusivamente.

(7) O carácter religioso da Igreja de Scientology tem sido asseverado desde o início da década de 1950, segundo a brochura da Igreja de Scientology Internacional publicada por ocasião do seu 40º aniversário em 1994. A Igreja de Scientology Internacional, com sede em Los Angeles, é descrita como a Igreja Mãe (como a de Boston para os Cientistas Cristãos). Há referência aos paroquianos e à irmandade religiosa, serviços de aconselhamento pastoral e obras de caridade afiliadas da igreja. Além disso, nas recentes entrevistas que temos feito a Scientologists, a dimensão religiosa foi enfatizada cada vez mais. Por proclamar cada vez mais a sua natureza religiosa, Scientology atrai pessoas em busca de religião, ao passo que no início atraía pessoas que procuravam resolver os seus problemas pessoais. À medida que Scientology se desenvolveu, Dianética ficou integrada no progresso do todo.

(8) A Scientology inclui elementos utópicos: L. Ron Hubbard concebeu um projeto utópico de «Aclarar o planeta», que imagina uma sociedade sem insanidade, sem criminosos e sem guerra, onde os capazes possam prosperar e os seres honestos possam ter direitos e o homem seja livre para se elevar a maiores alturas. A ética, aplicada de forma espontânea (a moral aberta de Bergson), irá eliminar todas as erroneidades da existência e, através da recuperação de theta, será aumentada. O mundo deve melhorar à medida que aumenta o número de Scientologists.

(9) A Scientology nasceu num contexto moderno. A esse contexto vai buscar certos elementos (tecnicidade, abordagem metódica declarada, a importância da comunicação, o bem-estar, a compreensão de organização, a experiência pessoal) que tem combinados com antigas tradições espiritualistas.

L. Ron Hubbard e os Scientologists alargam o uso de instrumentos de racionalidade ao serviço de um caminho místico, uma autotransformação e uma transformação do mundo. Provavelmente é por isso que Scientology parece única entre as religiões.

Régis Dericquebourg
22 de setembro de 1995

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